propositalmente ir além do mar

meus dedos na sua boca e eu te desenhando no escuro. me desintegrando, entregando tudo a você. mesmo sabendo que o ato de foder viria no dia seguinte quando você esquecesse meu nome e meu endereço e se levantasse da cama antes que eu acordasse do sonho. eu te procuraria pela casa feito louca sem saber se foi real. desceria as escadas e descabelada sairia na rua, te procurando, olhando na mão e contramão atrás do que me deu sentido. porque, você sabe, isso aqui sem você vira imensidão e eu prefiro me esconder e fechar os olhos. mas se você está, preciso ser o meu melhor para que você nunca deixe de me procurar quando eu decidir desaparecer. o tempo está passando, amor, o tempo está voando e até voltei a usar relógio para não me esquecer de que tudo aqui é passageiro. o coração, o relógio no pulso, o lado esquerdo do meu corpo anuncia o tempo inteiro os dias que passam. nenhuma parte de mim tem calma, mas finjo ser serenidade pra não te assustar. 

meus dedos na sua boca e eu te desenhando no escuro.

meu nariz no seu ouvido e depois a língua e a palavra, qualquer palavra indecifrável dessas que só surgem em atos sublimes de amor. meu corpo no seu, poema de métrica perfeita se encaixando, cada toque uma estrofe, um verso a cada ato de inspirar e expirar, cada vez mais alto. letra por letra e eu percorrendo você com ares de arqueólogo, como uma pesquisa etnográfica em  uma tribo desconhecida. atenta aos detalhes, curvas, cheiros, texturas. e depois que você dormisse eu ainda fumaria um cigarro escondida pensando que talvez as mudanças tenham um propósito mais sublime do que simplesmente crescer como pessoa. 

2 comentários:

  1. propositalmente ir alem do goiás...

    se entrega? cilada do recebimento
    passa a procurar? cilada do tédio
    contra-mão? cilada da incerteza
    você imensidão? cilada dos olhos
    eu me escondo? cilada da infância
    busca no relógio? cilada da vida
    finjo serenidade? cilada da gastrite
    métrica perfeita? cilada do empatia

    "por que a vida é real e de viés vê só que cilada o amor me armou eu te quero e não quero como sou não te quero e não queres como es"..

    ResponderExcluir