POEMA PARA DRUMMOND: CONTORCIONISMO

amar na primeira estrofe

o barulho na escada
do coração rangendo
nesses tempos
em que provisoriamente
não cantamos o amor

tudo ainda passa num minuto
e o lamento final
é uma pedra correndo muda
na enchente que invade a rua
e refaz o caminho

da saudade da sede itabirana
da coragem dos homens e mulheres
que não se negam a sonhar
apesar do cartaz amarelo.

pra você
que está em tantos os lugares.
no poema, na bahia, na estante.
no sentimento do mundo,
numa cidade qualquer.

pra você que mora na estátua
de cento e cinquenta quilos,
nas veias,
nas janelas,
entre cafezais e sonhos
como um poema que aconteceu.

nada menos que a eternidade.