agradeço a julho

e à julia pelo silêncio, pela calma, pela passividade. agradeço por ter finalmente entendido que a vida é mais do que uma grande narrativa e que nem todos os escândalos particulares precisam ser ditos, embora o egoísmo do ofício de escrever seja uma grande tentação. agradeço pelo conformismo da calma que agora assumo e pela a urgência de sempre que me faz escritora, amante e humana. pela paciência com minha incompreensão e pelo momento lindo e duradouro que até hoje mata minha sede de amor. agradeço a julho e à julia que já passaram, mas passaram a passos lentos, me obrigando a diminuir a pressa para acompanhá-los. pela libertação do segredo arrancado, pelo compartilhamento. agradeço sobretudo porque no lugar de todas as heranças malditas que os amantes deixam para trás, restou apenas essa gratidão sincera e rara. e se todas as mulheres do mundo forem só mais uma, que a diferença esteja no que permanece além do fogo.