cansei de ser água doce
me deixa ser o mar
para que você possa ser o rio
e correr em minha direção
e se misturar no meu sal
o sal do meu suor
e das minhas lágrimas

sigo esperando que o sol da sua cidade não aqueça meus pensamentos.

de novo

da série "as promessas que cumprirei se você me/nos/se permitir

Amar-te-ei e não te deixarei passar. Serei teu rumo e teu não saber para onde ir. Salvarei o mundo por ti e salvar-te-ei da infelicidade do fim dos dias. Não me cansarei de te olhar e teus olhos estarão comigo tanto na aflição habitual quanto na rara calmaria. Continuarei te avisando sobre a beleza da lua e das coisas banais. Não deixarei que teu espírito geminiano se afogue no tédio e dar-te-ei meu coração, não como as flores mortas dos buquês ou a efemeridade dos chocolates que desaparecem em uma mordida, nem mesmo com a preciosidade das joias caras. Dar-te-ei meu coração como quem dá a alguém a própria vitalidade, como quem deseja misturar os sangues e os destinos e os batimentos e as pernas embaixo do edredon. Nosso amor será como som para cegos ou luz para surdos. E eu te farei feliz com toda a força e com toda a fraqueza que há em mim.

ira amorosa


Não és exceção
És só mais um não
Que a vida me disse
Em resposta às tolices
Que fiz por amor


Se fechas os olhos
E o peito, cansada, fatigada
Não tens o direito
De me ligar de madrugada
Para me tirar o sono


Abandono é violência
Chora, deixa a carência
Com ou sem aviso prévio
Cava buraco onde já e fundo
E quase me afundo em mim


Me desfaço em poesias
E refaço minhas dores
Não te dedico meu silêncio
Seria como te dar flores
Mortas, mudas, tristes


Como estou agora
Vá, vá logo embora


Sem preencher minhas promessas vazias
Sem viver nossas futuras alegrias
Sem dizer sim ao próprio coração