permita que a permanência fique

Desde o dia que Antonia foi embora da minha vida que me pergunto:  O que será que é o contrário do amor? - do filme "Como Esquecer".

Adeus. Quem é que precisa de um adeus pra se sentir realmente abandonado? Quero dizer, o abandono é sempre tão previsível, por mais inesperado que pareça. Não é um ato, nem um fato. É um estado da alma. Compreende, querida? A gente tá sempre abandonado. Nos bares, esquinas, na cama, e até dentro de nós mesmos. E talvez precisemos mesmo disso, vezenquando. Há dias em que as palavras são nada mais do que pedaços do vazio que eu sinto quando você se vai. Pedaços que vão se despregando de mim - e do vazio, claro - pra se juntarem ao papel.

Mas não interessa do que a gente precisa, ou o que eu sinto na sua ausência, ou se vou continuar a escrever nos dias que virão. Senta aqui. A única coisa que interessa agora é que eu não quero que você me deixe. Eu preciso do calor do seu corpo e da sua boca na minha me dizendo bom dia. Os motivos pouco importam, essas coisas a gente não explica, amor. Fica comigo, por favor.

Deus queira que a minha não-explicação não diminua a urgência do pedido.

eu te amo.

vida sem, morte por

Como eu poderia não falar em saudade?
Se meu corpo reclama quando você levanta da cama pra peparar o meu café.
Se quando você fecha os olhos eu imploro em silêncio para que você volte a ver o mundo, volte a olhar pra mim.
E você volta, e eu comemoro ainda em silêncio.
Te digo obrigada. Você me pergunta 'por quê'?
Eu digo 'esquece', e te dou um beijo para que você possa realmente esquecer.
Vou te amando devagar, de um jeito que caiba na vida.
De um jeito que caiba em nós.
Se não couber a gente se conserta.
Desconserta as certezas.  
Inventa outra vida.
Desata os nós e cria um laço mais bonito.
Nessa, e noutras, decido que vou continuar vivendo por você.
Mesmo que eu morra de saudade todos os dias.

una aventura

La verdad es que no es cobardía. Mi miedo es noble, estoy asustada, pero aún así sigo satisfaciendo esta necesidad, mía y nuestra de dar e recibir signos vitales del otro lado. Hoy te necesité mas, y los recuerdos me han alimentado, porque cuando estoy con ellos me siento segura.

Querido B.,

     Há muito tempo não lhe escrevo, fruto dessa minha vontade de não querer voltar pra você nem em pensamento. Ainda não decidi o que fazer com aquele presente que escolhi com tanto carinho pra te dar, às vezes penso em jogar fora ou doar para alguma criança carente de sorrisos.  Mas acabo por deixá-lo ali mesmo, na gaveta, intacto; e talvez ele fique lá para o resto da vida. Ou quem sabe eu me livre dele quando por acaso tiver me esquecido da finalidade da compra. Eu quis te dar tudo porque você sempre quis nada, nada da vida, nada da morte e nada de ninguém.
     Não, docinho, não tenho desejo de vingança. Nunca fui disso, acredite. Mas do fundo do meu coração, espero que um dia, num encontro futuro, nos cruzemos e você perceba tudo que passou batido. Perceba que eu sempre fui muito mais do que você podia suportar, mais até do que você merecia. E que pra fazer dar certo eu estive disposta a transformar meu muito em pouco, em quase nada.
      Uma vez, apenas uma vez eu quis ser menos, pra me enfiar em outra vida. Pra suprimir a força oposta, achar a estrela escondida que não se deixava brilhar. Teria dado certo, se meu amor não tivesse transbordado seu recipiente de merda, que não cabia nem você mesmo. Ou talvez nem assim. É... Não ia dar pé.
     Eu sinto saudade, apesar de tudo, eu juro que sinto muita saudade.


Com amor e ódio,
daquela que já foi sua.

manual de libertação

                              sonhos construídos                                            sonhos furtados
  memórias vividas                                memórias inventadas
                                 tudo além                                                                       tudo aquém

tudo aquém demais do que me era de costume, do que almejava meu peito.
batia forte demais. me faltava ar, me causava dor.
e sua voz me dizia vá, vá, vá, vá (...)
PARA BEM LONGE DAQUI

é estranho cochichar sonhos baixinho e dizer sobre viagens sem destino final, inicial ou percurso. mas é bom, às vezes não ter rumo, não ter mapa, não ter casa. liberdade é a caneta na minha mão. sem medo de errar. sem apagar nada que já foi.

escrevo pelo que há de ser