o encanto

é que manda no amor

chego ao limite da palavra

e no ápice verbal cavo o buraco mais fundo em mim. aceito a solidão. respeito a solidão para me reconhecer. repito a vida que já vivi e verbalizo no presente feito notícia que vence amanhã. ilustro os fatos da alma e a beleza da calma de esperar pelo amor que nunca virá. profundidade não é bonita, baby. profundidade é doída e custa caro. custa mais do que o champanhe que bebemos agora, mais do que a balada de amanhã. só o seu sorriso é barato perto do vazio da companhia de não estar verdadeiramente com alguém. se na velhice perderei meu empirismo por muito ter vivido, aproveito enquanto sou folha em branco para escrever com atos o que a intuição não mostra. intuição não mostra o tom da voz nem a temperatura do corpo. intuição não mostra o aperto do abraço e nem o quanto o assunto é pouco. no seu decote não vejo seus batimentos e me pergunto por que estou aqui senão para rejuvenescer meu espírito capricorniano. voltar à infância parece assustador.

declaro minha independência.

levanto bandeira branca aos inimigos íntimos, mas nenhuma ternura me faz querer ficar. reconheço a impossibilidade da pureza do amor e deixo minha urgência no meio do caminho. não há cheiro que me tire daqui, não há respiração que mude meus pés de lugar. permaneço vestida dos pés à cabeça. outrora escalava montanhas, me ajoelhava, escrevia por alguém. agora escrevo para me sentir viva, mesmo sem saber se a vida compensa. desisto de me despir pelo frio que vem depois. finjo, de uma vez por todas, que sou independente. ainda não aprendi o significado de acordar com os pés fora da cama. talvez eu ainda caiba em mim, tão perfeitamente, que não caiba mais ninguém. 

só os bobos escalam montanhas para caírem do topo.