no papel as tristezas são mais tristes

nosso lugar preferido nem existe mais e o nosso precioso dia é só mais um dia perdido no meio de um reflexo do sol lunático de verão. deveria manter em segredo, não fosse seu fantasma a me visitar noite passada, tão real. eu te pedindo pra ser livre, pra ter coragem. antes de acordar assustada e perceber que talvez eu morra sem que nada mais faça sentido. os textos semanais, falar sobre a beleza da vida, a compaixão pelo outro. tenho compaixão de mim, de ti. de todos os covardes. daqueles que como nós, são conscientes da própria covardia. nossa zona de conforto é uma grande cela escura e desconfortável, como aquela em que vivia ezequiel. os ratos andam sobre nós, vivemos entre fezes e ainda assim pensamos que aqui dentro é mais seguro. agora sei sobre as estações do ano. sei também das áreas de instabilidade que causam chuva. sim, sou a nova garota do tempo. de uma forma ou de outra sempre achamos alguma distração. o trabalho é como a fresta da janela anunciando, de dentro da prisão, a cronologia do tempo que passa. claro. escuro. o despertador já tocou, é hora de levantar.