E ainda hei de inventar uma outra forma de lhe dizer o quanto o amo. Uma forma nova, tão sublime e eficaz, que quando falada, fará com que cada um dos seus poros sinta o amor entrando e transformando tudo que há dentro de você.
Puro azar o meu, ter um coração que escolhe feras indomáveis para amar. Chega o fim do dia e os olhos anunciam. As lentes embaçam, a vontade de piscar aumenta e eu fico sem saber se é por causa do choro, do calmante ou do cansaço diário. Cansaço de toda uma vida. Prefiro acreditar que é normal, nessa fase, algumas coisas ofuscarem a visão e confundirem a mente. Tocar definitivamente não é a única maneira de sentir. Ah.. se fosse!
Imagino que daqui uns anos ele me agradeça por tê-lo feito uma pessoa melhor. Falando assim até parece que ele é ruim, mas não, eu é que sou boa demais e sempre soube disso, apesar de demonstrar o contrário me arrastando aos pés de quaisquer amores por aí. Só acho que amores nunca são em vão, então, se vai vivê-los, viva de verdade. E deixe fluir como o ar inalado que passeia suavemente pela mitocôndria de cada uma das suas células. No início dói, prova são os bebês que choram, corações que sangram, pulmões que se abrem e lágrimas que caem. E a vida nem sempre é justa, principalmente com os que amam além da conta, mas é nessas horas em que se deve exagerar na dose e agir como um soldado em batalha, disposto a arriscar tudo para impedir o declínio da própria nação, dos ideais, dos sonhos. Do amor. Não sou escrava de sonhos, eles é que me servem.
Me diz quando foi que eu me tornei você, para que eu possa voltar no tempo, no exato momento de reverter o encanto.
Uma música das minhas, um livro ao acaso, o cafézinho da manhã e um cigarro. Não para ficar doidona, mas pela arte de fumar, de sair de si, de mim, dele. Parar de fingir que sou dessas, porque na verdade eu não sou. É o excesso de amor que me fez ficar assim, obstinada por causar uma imagem que lhe agradasse aos olhos e ao coração, para que me quisesse por perto. Nem sequer pensei que quereria minha companhia pela completude da falta, por eu ser tudo aquilo que ele não é e nem nunca será. Então vai, segue sozinho, na coragem para a morte, no medo da vida. E as pessoas ainda duvidam que o mundo está virado.
Eu tentei. Oh sim, eu tentei mais que tudo segurar cada palavra dentro de mim. E engolir cada letra quando já estava na ponta da língua, tão pronta para ser dita. Mas não dá mais pra fingir que não tenho intimidade com elas. Chega de simular essa falta de intensidade. Os fatos pesam muito, e falar sobre eles é como colocar uma roldana nos pensamentos, aliviando a carga, dividindo o peso. Drogas lícitas ou ilícitas não causariam o mesmo efeito que experimetnto ao saciar o vício de escrever. Mesmo quando a mente sai do corpo e a consciência diminui, certas coisas continuam a me perseguir, como sombras. Preto, escuridão em meio ao vermelho do sangue que passeia, despreocupado, pelas pernas e mãos, futuros entrelaçados.