eu (me) doo

O apego é uma bagagem eterna. Como uma mala acoplada ao corpo. O peso do apego fere a pele, que lateja e dói até se acostumar. E depois de muitos calos, ela engrossa. E a gente continua levando o apego, mesmo sem perceber que no fundo nunca seremos suficientemente resistentes para deixar de doer. Eu me doo muitas vezes na semana. Me doo de doer e de doar. Me doo ao futuro, me doo pelo passado. Meu mestre me disse outro dia que "enquanto estivermos no passado, o presente será um fardo", pensei comigo, quero uma vida leve agora. Como a água que não se mistura com óleo por causa da densidade. Que minhas lágrimas não se misturem com o peso do meu passado. O apego é um órgão do meu corpo. E eu estou cada dia mais geminiana.

amor

Essa felicidade que insiste em foder com a vontade louca que tenho tido de escrever nos últimos dias. Por isso implico tanto com seu jeito, baby. E reclamo até quando você esquece de segurar minha mão. E te ignoro e me fecho e tento botar defeito em tudo. É pra ver se dói, se lateja, se corrói por dentro para que eu possa dizer qualquer coisa a respeito. Recuo devagarinho se você não me olha nos olhos e não me beija com toda a sua alma. Penso em desistir e invento mil motivos, mas a verdade é que ser feliz dá medo. E eu vivo dizendo por aí que sou corajosa, que não tenho medo de viver. E talvez eu não tenha mesmo. Meu medo maior é de te ver saindo pela porta e não poder fazer nada para impedir, de não te fazer bem como você merece e de que a gente não consiga deixar pra trás o peso do passado. Mas alguma coisa me diz que quando você me abraçar forte eu não vou mais sentir medo. E quando você ler esse texto você vai prometer que vai me abraçar forte todos os dias. E nós seremos ainda mais felizes do que somos agora. 

Me ensinaram que felicidade não se escreve.

Talvez esse seja um texto sobre o amor.