à nostalgia

As gaivotas nunca pousam quando sabem que são esperadas. Mas naquela época eu não sabia disso, e corri atrás da felicidade de tal modo que acabei sendo atropelada por ela. Agora meu coração não passa de uma bússola estragada, que ainda não parou, mas não sabe sequer onde está o norte. As coisas mudaram muito desde o dia em que te encontrei naquela escada, e eu tenho me perguntado várias vezes ao dia, por que é tão difícil amar? E deixar o amor roubar o ar sem morrer por isso. Eu não sei mais como fazer, amor. Sou um samba em inglês sem percussão, só voz e violão. Ainda espero por alguém que apareça numa quinta-feira de manhã com um violão e uma melodia pronta, pronta pra me fazer chorar, e me convide para sentar no chão, alguém que depois faça alguma coisa por mim, me dê a vida, morra por mim. Eu não consigo mais me encaixar aqui, é como se eu fosse cair a cada rotação da terra. Temo que o universo não seja mais o mesmo desde aquele dia em que eu te encontrei. O meu não é; o resto, não sei.

Sonhei que eu te fitava do edifício mais alto da cidade e à noite, quando o sol se punha, você entrava em mim pela janela do meu apartamento. Nos sonhos o amor é tão grande quanto eu gostaria que fosse, e até a janela mais alta fica a dois palmos do chão porque a vontade nos aproxima mesmo sem querer. Por que é que eu ainda sonho com você? Nos sonhos você cumpre as promessas, não todas, mas as que incluem ficar até o fim. E você nunca saberia seguir sem mim porque em cada partícula de oxigênio que você respira tem meu nome escrito. Nos sonhos você sonha comigo todas as noites e acorda com o peso da minha perna que inconsciente, só quer te prender aqui, só quer te fazer ficar. Nos sonhos você me sorri e arrisca a vida quantas vezes for preciso para que não precisemos arriscar o nosso amor.

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