dois pra lá, dois pra cá


de um lado a gente dançando na sala. do outro eu desistindo de nós por falta de disposição para amar a conta-gotas. de um lado a marca no meu pescoço e eu te mostrando minha intimidade. do outro você perdendo o tesão e fingindo que é normal. de um lado a escritora que vibra e sorri só de ouvir sua voz. do outro a mulher forte e autossuficiente que finge silêncio pra não sofrer (mas sofre). de um lado a euforia, do outro a indiferença. de um lado o drama, do outro a indiferença. de um lado o amor, do outro a indiferença. o problema é que eu entrego os pontos, perco as forças, abro mão. caio do touro e fico no meio da arena esperando para ser pisoteada. me atraem as derrotas triunfais, as tragédias que levam ao encontro da solidão. estou encolhida no canto da sala, pequena e indefesa. estou sufocada e reprimida. eu não sei pisar em ovos mas ainda não desisti, eu nunca desisto.  é só escrever, escrevendo eu sobrevivo a tudo. escrevendo me sinto viva.