te espero

desde que meu corpo derretia sob o colchão no chão de madeira do apartamento em salvador. desde que te re-conheci desenho suas curvas em pensamento como uma luz rasgando esse abismo pesado e escuro que é a vida às vezes. coragem. para admitir que hoje ainda não te esqueci. amanhã, quem sabe. ou depois. e os pés, os caminhos e os cheiros sozinhos. acho que me dou bem com a solidão. planejei nossa vida inteira no caminho da minha casa até o bar. planejei paris e planejei estudar menos e produzir menos para ser sua por mais tempo embora eu seja sua o tempo inteiro desde que meu corpo derretia. pensei em abdicar da arte em prol do amor e diminuir o passo para você me acompanhar. pecado mortal, desperdício, será? o mundo não precisa de mais amores falidos. quero que você me perca como me perdi todas as vezes em que desisti de viver porque a vida sem você não tinha graça. quero que você me perca hoje, agora, pra sempre.