Reconstrução

O vazio do mundo transformou minha solidão
Solitude

Vontade ímpar de ser um só. Muralha da China, muro de Berlim
Corpo estirado na cama e olhos fechados para a noite lá fora
Nada parece convidativo, os amores não valem mais

A cicatriz do amor é tinta na pele
Sorriso que rasga o rosto, lágrima que queima e corrói

Saudade também é cicatriz
N'outros tempos ferida viva
Sangrava sem se esgotar
Esgotava a mim, só
A ausência vermelha explodia
Me deixava vazia e fraca
Saudade hoje é carne morta

Eu não te amo, eu te reconstruo
Amar é reconstruir
Junto os cacos, limpo a bagunça
E construo algo mais bonito
Com a matéria prima do que foi quebrado

Te perdoei ontem, te perdoei hoje
Te perdoo pelo amanhã, para o resto da vida
A falta de atenção virá e me sentirei novamente só
Em tua boca estamparás o nome de outra
Ainda assim...

E quando as ondas te empurrarem para mim
Chegarás junto ao navio e nadarás, depois correrás na areia
Em busca do abraço
E no calor te mostrarei a beleza da nova redoma
Que construí do que sobrou dos nossos versos, da nossa agonia

2 comentários:

  1. "E no calor te mostrarei a beleza da nova redoma
    Que construí do que sobrou dos nossos versos, da nossa agonia"

    Lindo, lindo isso!

    Não é à toa que, quando deixei de amar, tudo desmoronou... Agora eu tento, pouco a pouco, juntar os pedaços. Uma hora chego lá!

    Adorei te ler, tava com saudade! Confesso que fazia tempo que não vinha aqui :P

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