o último do ano

o amor está bem distante do aquário que abriga os peixes coloridos sobre a mesa. nem mesmo os pássaros escandalosos nas gaiolas podem alcançá-lo com suas pequenas asas. ao contrário do que você dizia, seus ombros pontiagudos poderiam abrigar meu sono aqui ou em qualquer lugar. se até brasília pode ser aconchegante, quem dirá seus ombros. com a tua coragem poderíamos mudar o mundo. mas alguma coisa se perdeu entre pedras das rodovias que nos separam e isso deve ser uma grande tragédia. "devemos louvar a catástrofe, seja ela qual for, que destruiu a ilusão e colocou a verdade em seu lugar?" - está no livro rosa de virgínia woolf. desastres são importantes para aproximar as pessoas, dizem. por aqui o mar está agitado e o sol nunca esteve tão quente. prefiro assim, a natureza é mais sincera quando mostra sua força. foi no oceano que você disse que morava o amor? isso seria bom porque setenta e um por cento do planeta é feito de água e olhando assim é possível imaginar a terra como um imenso coração em pleno funcionamento rotacionando e translacionando vida pelos mares como o sangue que nos chega pela aorta. fecho os olhos e suas pupilas crescem violentamente no escuro. esse é o acontecimento mais verde e sincero de dois mil e quinze.

ainda é essa a cor da esperança?