a solidão é como uma tempestade

que destrói tijolo por tijolo os meus abrigos
E leva embora os amores como barcos de papel na enxurrada
Depois eu fico só
Fica só o frio
Estão todos loucos de uma loucura vazia
E eu, cheia de mim, quero sumir
Não como ave de rapina que sou, mas como pássaro pequeno que se esconde entre as nuvens

Se eu esperar pelo tempo bom, será que há de chegar?

Amar demais me transformou em um extremo
Não sei se me tornei mendigo ou rei
De qualquer forma, quis alguém, por esmola ou reverência
Alguém que não tivesse vergonha de sentir frio nessa terra de estações indefinidas onde não há inverno
E se agarrasse a mim mesmo que para se desfazer em suor

Mas o calor não faz mais parte dos abraços
E agora minha vontade é neve que derrete e escorre entre os dedos
E se mistura a enxurrada que levou embora o meu sorriso
Vou-me embora com eles, com elas, com todos que me deixaram para ver o sol nascer e se por de novo em solidão