estou pronta,

eu disse,
pronta para suportar
qualquer abandono.

e cá estou para mostrar que
amor, de solidão não morro,
dela não corro, nunca corri.

quantas flores já passaram por aqui
e acabaram murchas como chegaram.
eu nunca soube o que dar a elas
para que sobrevivessem bonitas,

ou talvez sejam elas que nunca,
nunca compreenderam
tudo que eu queria lhes dar.
me consumiam por inteira
e continuavam com fome.

quando caíam, secas no chão,
eu pensava, fracassei.
aí vem você e me ensina
que o único modo de não fracassar
é rejeitando as flores.

e ainda assim eu digo sim.
braços e pernas abertas,
agora que você as abriu.
porque não me importo
em ser um fracassado.

se é isso que tenho que ser
para viver de amor,
é isso que serei,
seja a flor quem for.