Pesar

Tenho errado muito, tanto que já quase me esqueci como acertar de novo. Meus atalhos não me levam ao destino final, tornam-se labirintos e na pressa me perco no meio do caminho sem saber se devo voltar ou como fazê-lo. Banalizando recomeços, passo o dia pedindo perdão e tentando me perdoar para aliviar a ressaca que me veste há tanto tempo. Pior do que um cego, nenhum dos meus sentidos é apurado, meu corpo só distingue bem o vazio da perda e a dor dos lamentos silenciosos por ter perdido mais uma vez. Até mesmo com as palavras tenho errado, recito poemas embriagada, suja, ao cão que caminha à noite pelas ruas da cidade, mas nem ele quer me ouvir. Por isso hoje acordei com vontade de ser muda, de só chorar em silêncio, e não dizer nem a mim, nem ao papel, nem ao cão que ladra sobre o que há no coração. Olhar para dentro não alivia a cegueira, minhas vísceras refletem apenas o que fiz de errado e eu imploro por paciência, amor e perdão pois são também espelhos. O perdão é tão difícil quanto belo. 

Um comentário:

  1. Sua capacidade de me (d)escrever sem querer... Suspirando aqui, como sempre.

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