de dentro

Qualquer coisa que eu fizer será sempre um pedido de carinho. Se eu gritar com você, cala minha boca com um beijo. E se eu virar pro lado alegando sono, me abraça mesmo assim, que o seu abraço me protege dos pesadelos. Suponho que deve ser normal tropeçar no início, deitar e não saber exatamente onde colocar o braço, pedir perdão por nada e chorar no meio do bar por insegurança. E acho aceitável que as vontades não se encaixem tão perfeitamente em uma noite fria. Só não é aceitável que a gente pense em ir embora, assim, com tanta incompletude na sala de espera. Eu ainda preciso de um cúmplice para os meus crimes passionais, e você ainda tem que realizar aqueles planos quase abandonados. Tô escutando aquela música que te fez lembrar do que ainda não aconteceu, e juro, quase te vi no futuro, de mãos dadas comigo, numa tarde dessas de domingo. Beija minhas lágrimas que eu beijo as suas. Mas não deixa secar, me molha com sua saliva, lambe minha boca, minha pele, toma um banho comigo e vamos nos enxugar no lençol da cama. Diz que me ama até cansar a língua, depois cala. Porque quando a gente se abraça sem dizer nada é quando o silêncio não ensurdece mas mesmo assim diz mais do que qualquer barulho, e todas as palavras do mundo parecem murmúrios sem sentido perto da nossa calmaria. Essa calmaria que transborda amor. E não tem essa de vibe diferente, no fundo eu sei que há sintonia. E que a sintonia é sublime feitos esses sentimentos grandes que a gente não consegue ver, nem descrever, e teima em tentar, como faço agora. Te dizendo. Que te amo tanto.

2 comentários: