eu (me) doo

O apego é uma bagagem eterna. Como uma mala acoplada ao corpo. O peso do apego fere a pele, que lateja e dói até se acostumar. E depois de muitos calos, ela engrossa. E a gente continua levando o apego, mesmo sem perceber que no fundo nunca seremos suficientemente resistentes para deixar de doer. Eu me doo muitas vezes na semana. Me doo de doer e de doar. Me doo ao futuro, me doo pelo passado. Meu mestre me disse outro dia que "enquanto estivermos no passado, o presente será um fardo", pensei comigo, quero uma vida leve agora. Como a água que não se mistura com óleo por causa da densidade. Que minhas lágrimas não se misturem com o peso do meu passado. O apego é um órgão do meu corpo. E eu estou cada dia mais geminiana.

3 comentários:

  1. bárbara fm, obrigado por este texto.

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  2. Estou apaixonada por suas palavras, seus sentimentos, pelo pedacinho de alma que mostra a partir dos teus textos...

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