naufrágio nº dois

Suicídio diário. Meu masoquismo ainda me mata um dia. Ontem não reparei na roupa que ela vestia, tudo que consegui ver foi seu olhar e sua expressão séria, postura rígida. Pessoas costumam ficar sérias quando sabem que fizeram algo errado, mas não acho que seja o caso. O erro só é erro do meu referencial. E eu já perdoei, mesmo sabendo que o pedido de perdão nunca vai chegar. Sentimentozinho medíocre e eu achando que tínhamos alguma obrigação, respeito, compromisso ou livre arbítrio que nos unisse. Medir o amor em estatísticas que nunca mudam. Esperar, implorar, viver por alguém e depois desistir e conquistar, beijar, me apaixonar por outro alguém e depois desisitr e sorrir, olhar, tocar e desistir. E meu coração continua mais aberto do que o de todos juntos. E os traumas pesados continuam me causando repúdia. Outro dia pensei em tatuar "open" bem no meio do peito só pra assumir de vez a postura de revolucionária sentimental, louca, desvairada. Perdi meu orgulho em alguma esquina e isso seria decadente, mas o orgulho dos outros é tanto que ocupa o espaço do meu e dessa forma eu acabo contribuindo para o equilíbrio universal. Ela reclamava do estalo barulhento dos meus beijos e da tremedeira dos meus braços, e até isso eu tentava corrigir, para ser perfeita aos seus olhos. E agora compreendo que mesmo seu eu cortasse minha língua e meus dedos e vivesse em silêncio pelo resto da vida, ainda seria insuficiente. Seria insuficiente porque nenhum ser humano consegue se alimentar de migalhas para sempre. Eu morreriaa de fome, meu coração sentiria muita sede e o drink das minhas lágrimas seria tão salgado que alimentaria minha sede até que eu chegasse à morte. Me deixa ser eu do jeito que eu sou. E daí se indiferença é o contrário de amor? Quem foi que disse que eu quero o contrário do amor? Eu só quero o amor, do jeito que ele é. Dolorido, intenso, sublime, casual, eterno, efêmero, contrário, bonito, feio. Eu quero o amor sorrindo, eu quero o amor chorando. Eu só quero amar. Mas ninguém me permite amar a dois. E eu vou mandar Cazuza calar a boca da próxima vez que ele cantar só se for a dois, porque eu vou saber que ele está certo e que não dá pra amar de verdade se a gente estiver sozinho no barco. Se não for o barco do Caio, vai naufragar, não adianta, sozinho a gente fica girando em torno de si mesmo e ninguém, repito, ninguém nesse mundo tem braço forte o suficiente pra remar sozinho a vida inteira. Uma hora o corpo cansa, a alma cansa, tudo cansa. E a gente pede arrego. Eu peço arrego. Eu peço arrego e imploro para que ela durma comigo essa noite. E ela continua dizendo não. Não. 

Um comentário:

  1. Eu tento te elogiar, mas eu fico tão sem palavras depois do fim de cada texto, que passo pro próximo.

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