ordenando o tom da vida

Sabia que o silêncio lhe apeteceria mais do que qualquer palavra bonita. Por isso segurou dentro da boca a língua, como que a sete chaves, e tirou da vista toda as canetas e papéis. Mesmo que no fundo quisesse gritar ao mundo, não permitiu que escapassem de si os votos, desejos e fantasias. Mais importante do que isso, era que ela não lhe escapasse. Porque nada mais importava naquele momento, e mesmo o silêncio eterno seria suportável pois os abraços pagariam a dívida das palavras.

Um comentário:

  1. Em meio a tantas ricas figuras de linguagem, fico perdido entre um suspiro e outro, e não sei como descrever o quão tangíveis seus sentimentos são, impressos, letra a letra, no seu texto.

    Acho que compararia esse pequeno pedaço de poesia em prosa à migalhas de pão. Notáveis, simples, que trazem o aroma da farinha e a textura do tempo de forno; tudo isso, porém, sem deixar de ser tão natural numa toalha de mesa.

    Genialíssimo! Espero que possamos trocar ideias sobre textos.

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