primeiro

Eu preciso te escrever na minha nova máquina, porque eu sei que você gosta da estética das letras que me lembram os poetas antigos. Imagino Vinícius com o cigarro entre os dedos e entre os lábios e as angústias saindo do peito e invadindo papel. É o meu preferido sabia? Grande poetinha.. Devo dizer que mais cedo, quando chorei, você não saiu junto com as lágrimas. Por mais que eu tentasse te tirar de mim, só sairam palavras, essas que pronuncio agora quase que por obrigação. Pensei em te escrever um contrato de permanência dizendo que aceito todas as suas cláusulas contanto que você fique comigo, mas me lembrei a tempo que geminianos não gostam dessas coisas pré-planejadas. E talvez eu esteja me tornando uma geminiana também, porque apesar das minhas vontades, todos os meus planos já se desfizeram como um "ctrl z" que a gente aperta milhões de vezes antes de chegar ao resultado esperado. Gosto da passividade com que você aceita a minha loucura e de como você acaricia minha perna quando sabe que não há ninguém por perto. Gosto da permissão involuntária que você me deu para te amar. Mentiria se dissesse que eu não quero e nem espero nada de você, minhas expectativas são muitas, baby, vão desde o próximo beijo até a eternidade, se é que isso existe. Mas eu nunca vou te exigir nada além dessa brechinha quase imperceptível que você abriu para mim sem querer, essa brechinha que me deixa te mimar e dizer trinta vezes ao dia o quanto eu sou sua e quanto você é linda. Amor a gente não exige, a gente só deixa. Deixa entrar, deixa sair, deixa fazer morada e ir embora quando quiser. Por mais que você negue, seus olhos dizem que há muito espaço aí dentro e eu fico torcendo para conquistar um cantinho qualquer no seu coração, tal qual um soldado numa guerra lutando por um pedaço de terra. A gente só manda nas palavras que saem da boca, benzinho, do resto, o corpo se encarrega. Sabe, eu também sou toda remendada. Mas pensar em você me faz esquecer o quanto alguns dos meus remendos são mal feitos e que talvez algumas das minhas feridas abertas nunca se fechem. Eu não quero me tornar sua estranha conhecida. Não agora. Às vezes sinto raiva de mim por te querer tanto e por saber que por mais que eu me esforce, eu nunca vou ser como o seu passado, e minhas palavras nunca vão alcançar tão fundo. Mas olha, eu tento. É isso que eu tenho feito desde o dia em que eu te conheci e é isso que eu vou continuar fazendo até amanhã ou até mês que vem ou até Deus sabe quando. Me perdoa por ser de vidro e por sempre despejar tantas coisas que talvez você nem queira ouvir. Meu coração é seu.


"hoje já pensei em cinco formas diferentes de te expulsar de mim e quis gritar quando percebi que 'amor tranquilo' nessa minha vida é infindável, e aceitei o caos com que eu vivo meus dias" gicovate, paula.

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