quatro de outubro de dois mil e dez

Minha atual leveza é um paradoxo em meio a tantas palavras pesadas que sempre teimei em dizer, e toda essa suavidade me traz à tona seu toque em mim. Nunca fui de vidro mas também nunca importei que você me tratasse como tal. Afinal, eu realmente estava prestes a quebrar. E quebrei. Quebrei porque meu material não era resistente o suficiente para suportar tantas variações, tanta carência, tanta ausência. Reconheço que você tentou juntar cada pedaço meu, cada mínimo caco, para que eu me refizesse e pudesse viver de novo da maneira que fui ensinada. Mas eu quase não aguentei, amor. Só aguentei porque te fiz colar minhas partes com seu próprio sangue. Me livrei da bomba-relógio que havia dentro da memória e explodia todos os dias. Por favor entenda, se agora estou leve, não é por haver menos de você em mim, é por ter transformado seus retalhos em asas que me tornaram capaz de voar. Espero que você possa fazer o mesmo com o pouco que sobrou desse seu maior amor, e que nossas asas nos levem a um encontro nos céus. Eu me sentiria em casa, pois foi onde sempre estive quando seu toque me embalava. Como se eu fosse de vidro.

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