do desconforto de viver

Meu centro de massa fica no coração
Quando há alguma coisa errada com ele, mal consigo parar em pé e passo os dias procurando algo em que eu possa me escorar 

Eu preciso
Começar a escrever na terceira pessoa para criar uma distância saudável das minhas próprias dores
Comprar uma cama maior
Apagar o número da moça da agenda do meu celular

Eu quero alguém 
Que seja como um chá doce em uma noite de insônia, que acalma e esquenta por dentro 
Que me dê até o que lhe falta
Que me faça sentir e ir além
Além dos poréns, dos desdéns, dos ninguéns
Além de mim

Restos
Todos os restos que eu tenho recolhido de vocês não tem sido suficiente
Por isso desmarquei todos os encontros da semana sem nenhuma explicação

Viver não é mais confortável
Sentir é a lei do mais forte
Não sei se por falta de sorte
Há em mim sentimento demais

Mas sou fraca, vulnerável
Às vezes imploro pela morte
Ela diz que minh'alma tem porte
E que não sei o quanto sou capaz


3 comentários:

  1. Eu quero alguém
    (...)
    Que me dê até o que lhe falta

    E tanta gente, com tanta falta pra oferecer...

    Adorei os versos. Dava uma música, um samba dos bons.

    Mas né, n'é fácil esse negócio de não saber escrever ficção, não...

    ResponderExcluir
  2. quase minha vida isso aí.
    transformei a dor do coração em comédia pastelão.

    ResponderExcluir