re colhendo-me

Se eu te ensinar a sambar você me ensina a amar? Esta é a quarta noite seguida em que te escrevo e isso me faz pensar que até aqui valeu a pena, pois você já me tirou do chão, e tudo que tira do chão merece atenção especial. Tenho a impressão de que as palavras que saem da minha boca te assustam, te afastam, te levam cada vez mais rápido para longe de mim, mesmo que no fundo elas sejam tão carregadas de amor e energias boas e sentimentos bonitos. Desde já sinto saudade, não hesitaria em te querer por perto durante pelo menos mais alguns anos. Passaram-se apenas seis dias desde o nosso primeiro encontro e sinto que nunca serei para você mais do que sou agora. Queria ser mais leve, só um pouco, o bastante para conseguir me suportar sozinha e não ter que dividir o peso com ninguém, muito menos com você. E ao invés de te tirar o fôlego, te ensinar a respirar na cadência perfeita que tornasse a vida suportável. Ser o motivo do seu sorriso me bastaria. Não queria te fazer pensar, entender, compreender nada, só queria cortar as correntes da âncora que te prende ao chão, pra eu não voar sozinha. Te fazer sentir. Eu poderia ficar calada se você me deixasse dizer com os olhos tudo o que digo agora. Eu poderia ser seu amor à moda antiga, mesmo vivendo nessa pós-modernidade-de-merda. Tem um monte de coisas que eu gostaria de aprender segurando na sua mão. Me perdoa por tentar escrever algo maduro e ter me transformado em meras e eternas súplicas que não querem te ver partir. Me perdoa por ser tão mimada e sentimental, por não calar a boca nunca e por sentir tanta culpa. Me perdoa por ter estragado tudo, anjo.

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