errando de novo

É claro que somos inteiras, benzinho. Mas eu posso fingir ser metade só pra tu querer me completar, aí tu deixa tua outra parte do lado de fora da porta ou então finge junto comigo. Quem sabe um dia, por descuido ou poesia, de tanto fantasiar a gente acaba virando fantasia. Fantasia de ser dois em um. É claro que somos livres, amor. Ninguém tá preso ao chão ou ao céu de lugar algum, mas me prende nos teus braços, ma amarra no pé da tua cama e não me liberta nunca dessa prisão. Eu gosto quando me olhas daquele jeito e tentas encontrar meu olhar dentro do infinito. E quando me perguntas baixinho aquelas perguntas óbvias que tu já sabe todas as respostas. E quando me obrigas a fazer leitura labial e eu não aguento ficar com a boca longe da tua por muito tempo. Eu gosto de sentir tua respiração crua na minha. Gosto quando beijas minha testa daquele jeito singelo e me puxas pra mais perto do teu peito. E sinto que aos poucos te entregas a mim, coração acelerado, olhos fechados, boca aberta de prazer. Eu gosto de te beijar bem devagar e cravar a unha nas tuas costas, para sentir contigo o gosto de sangue e dor. E quando tentas me tranquilizar e na verdade estás mais assustada do que eu, também gosto. Ama comigo, fica comigo, vira metade comigo. Eu prometo que te ensino a sambar.

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