manual de libertação - segundo ato

Meu próximo amor vai ser analógico, simples, gostoso de viver. E quando o frio chegar eu só vou querer um cobertor. Se não for assim, não serve. Porque eu não nasci para essas coisas modernas, baby. Eu não quero mais declamar poemas por telefone, eu quero olhos nos olhos, perfumes, reações. Ao invés de dizer "eu prometo nunca te deixar", quero segurar forte as mãos de alguém, não há que não se sinta seguro com isso. E beijar cada lágrima ao invés de dizer "não chora". Você sabe que eu daria a minha vida por você, mas deveria saber também que ser escravo de ódio, preconceito, dinheiro, hipocrisia - nunca foi para mim, amor. Não nasci pra ser escrava nem de sentimentos bons, porque o que é bom de verdade não escraviza ninguém. Já falei para o meu pai, ou ele me dá um jipe todo aberto, ou me dá uma moto. Pela simples ilusão de liberdade que vou sentir ao pisar no acelerador. E você ainda insiste nessa doçura que me prende. E eu continuo acreditando que uma hora as coisas vão se ajeitar, e me deixo levar de novo e de novo, e te dou todas as últimas chances possíveis. Se eu pudesse, amanhã andaria descalça o dia inteiro. Eu preciso sentir que eu não deixei de existir, com ou sem você por perto. Que eu ainda habito esse mundo, e principalmente, ainda habito meu corpo. Eu preciso do meu lado carnal, da pele, do arrepio, do abraço, dos batimentos em (des)sintonia. É claro que vai muito além disso, mas vou poupar minhas explicações para o nosso bem, para o bem do leitor que teve a paciência de chegar até aqui. E que no próximo texto eu não fale de "querer", porque isso lembra exigências e mimos, e mesmo me mimando como ninguém, você me obrigou a amadurecer cedo demais e roubou de mim boa parte dessas características infantis. Que a semana passe voando, que esse ano acabe logo. E que os finais sejam bonitos. Não exijo que seja doce, apenas peço que não seja amargo demais.

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