manual de libertação - segundo ato

Meu próximo amor vai ser analógico, simples, gostoso de viver. E quando o frio chegar eu só vou querer um cobertor. Se não for assim, não serve. Porque eu não nasci para essas coisas modernas, baby. Eu não quero mais declamar poemas por telefone, eu quero olhos nos olhos, perfumes, reações. Ao invés de dizer "eu prometo nunca te deixar", quero segurar forte as mãos de alguém, não há que não se sinta seguro com isso. E beijar cada lágrima ao invés de dizer "não chora". Você sabe que eu daria a minha vida por você, mas deveria saber também que ser escravo de ódio, preconceito, dinheiro, hipocrisia - nunca foi para mim, amor. Não nasci pra ser escrava nem de sentimentos bons, porque o que é bom de verdade não escraviza ninguém. Já falei para o meu pai, ou ele me dá um jipe todo aberto, ou me dá uma moto. Pela simples ilusão de liberdade que vou sentir ao pisar no acelerador. E você ainda insiste nessa doçura que me prende. E eu continuo acreditando que uma hora as coisas vão se ajeitar, e me deixo levar de novo e de novo, e te dou todas as últimas chances possíveis. Se eu pudesse, amanhã andaria descalça o dia inteiro. Eu preciso sentir que eu não deixei de existir, com ou sem você por perto. Que eu ainda habito esse mundo, e principalmente, ainda habito meu corpo. Eu preciso do meu lado carnal, da pele, do arrepio, do abraço, dos batimentos em (des)sintonia. É claro que vai muito além disso, mas vou poupar minhas explicações para o nosso bem, para o bem do leitor que teve a paciência de chegar até aqui. E que no próximo texto eu não fale de "querer", porque isso lembra exigências e mimos, e mesmo me mimando como ninguém, você me obrigou a amadurecer cedo demais e roubou de mim boa parte dessas características infantis. Que a semana passe voando, que esse ano acabe logo. E que os finais sejam bonitos. Não exijo que seja doce, apenas peço que não seja amargo demais.

à boemia passada

27/04/2009 - Para a orquestra jovem de Goiás.


Meu desejo por sua posse
Não precisa ser falado
È percebido num ato calado
Um abraço, um olhar

Embala minh'alma com calma
Como nas noites
Em que tocas seu violoncelo

A plateia sedenta é meu coração
Tão só e na ânsia por teus carinhos
Tua mordida em meus lábios
Quando me beijas com exatidão

Fazes do meu seio teu acalento
Permita-me sair da plateia
E ser teu maestro
Para não me ousar a cair no esquecimento

Esta noite o mundo faz silêncio
O único som é nossa melodia
Íntima e cuidadosamente composta
Pelas notas dessa fantasia

para aliviar a dor


Não enxergo nos seus olhos o que você precisa, e portanto, não posso sê-lo. Insuficiência é frustrante, dói lá no fundo. Não por eu ser capricorniana controladora e orgulhosa, mas por te amar tanto e não ser o motivo dos seus sorrisos. Por ouvir você dizer que eu não basto e que te faço procurar outras pessoas. Quando a gente ama, essas frases de efeito fazem mesmo efeito dentro de nós. Eu queria entrar na sua redoma, queria te conhecer de novo e novamente confiar minha vida nas suas mãos. Sinto que fora de mim você tem tantos outros mundos onde eu não caibo. Como boa refém que sou, te dou meu destino com medo de que não seja par. Só me deixa voltar pra realidade quando estiver verdadeiramente comigo. Beija minha nuca, me conta sobre o seu dia, e diz que nunca nunca nunca vai me deixar, que sou só eu e mais ninguém, mesmo sendo neurótica, possessiva, intensa demais e tantas outras coisas. Me faz caber no seu coração. Aprende a correr atrás do tempo, faz isso passar logo e vem viver comigo até depois da eternidade. Vamos viajar pelo mundo de mãos dadas, vamos ter filhos e ser infinito junto com as estrelas. Realiza comigo no plural cada verbo que tá na minha cabeça agora. E eu juro, vou te acostumar a ser feliz.

umas e outras

A moça pensa que estou bem, até parece que não me conhece, que não conhece meu coração. Nunca poderia botar meu bloco na rua sem ela. Os únicos erros que cometi nos últimos dias foram frutos do excesso de àlcool que ingeri por pura tristeza que a solidão me causou.

Eu nunca quis guardar o mundo em mim, moça, eu só queria que você ficasse mais um pouco. Eu só queria que você fosse o meu grande, eterno, estranho amor. Eu tenho medo das suas decisões que não me incluem. Eu não gosto do escuro. Eu sinto frio mesmo quando faz sol, e - por ironia - meu quarto é a parte mais fria da casa. Diz pra mim que a vida não é um quebra-cabeça, e que não tá faltando nenhuma peça aqui dentro. Diz que o sol vai continuar nascendo e clareando os meus dias. Diz que vai ficar tudo bem, moça? Deixa eu deitar no seu peito e fazer nada, tal qual uma meditação? Deixa eu beijar seus pés e me ajoelhar, e te jurar amor eterno por meio de infinitas e ridículas cartas? É moça, eu não sei nada dessa vida. Eu só sei amar você.