o que não se ganha por amar

- Que foi?
- Tava pensando.
- Pensando no que?
- No quanto somos sustentados pela loucura, não faz sentido continuar insistindo nisso.
- E precisa fazer sentido?
- Não. Mas eu tenho o direito de desistir.
- Você vai botar tudo a perder.
- Como, se antes disso já estávamos perdidos? Somos frágeis desde o início.
- É, o amor tem dessas coisas. Já nasce frágil e está sempre por um triz. Continuar ou não, depende única e exclusivamente da vontade que sentimos de estar perto um do outro.
- A minha vontade se perdeu.
- Então eu te perdi. Desde o dia em que isso começou a acontecer.

Me deu seu melhor beijo e disse que era o último. Falou que não era questão de perda, pois nunca pertenceria a ninguém, mesmo que um dia se apaixonasse de verdade.  Eu disse que o pertencimento não era uma escolha, que quando a gente se apaixona entrega as algemas do coração, mesmo sem querer. 

- Você não sabe de nada, benzinho.. tudo é questão de escolha.

Saiu rindo sutilmente da minha pieguice.

Desde aquele dia não consegui parar de pensar - como pode um escorpião tão racional?

Eu queria ser picada, infectada pelo veneno das coisas exatas.
Contudo, eu morreria.
Por isso o deixei ir, sem inveja, sem saudade.

Um comentário:

  1. se sem as coisas exatas já é tudo uma merda, imagina com elas

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