o próximo outono já foi

Eu quero que você desapareça com essa covardia e com todo esse amor que eu não consigo ver. Eu não quero pegar a doença da burguesia, eu não quero feder. Filhos únicos são infelizes mesmo, mas que eu tenha consciência da minha própria infelicidade ao invés de viver esperando pela alegria que nunca vai chegar. Utopias me dão sono, a vida para mim é agora, girl. Amanhã tá longe demais. O hoje é como uma fotografia, é o instante, o momento sublime, cada vez que você aperta o botão da câmera já era, cada vez que o ponteiro do relógio gira, já foi. Não é como um filme que você pode assistir, apertar o pause, voltar à cena anterior, pular o tédio, dar stop e depois assistir de novo. A gente só vive uma vez, eu não aguento mais repetir isso. Eu quero a América Latina na palma da minha mão, eu quero perder a razão toda noite dentro de um quarto, sentir o sol invadindo tudo e não ser invadida sozinha, por ter alguém do lado. Eu quero que esse alguém seja você, baby. Mas se for assim, você tem que viver para mim. E aceitar que ninguém nunca vai te compreender, desvincula essa sua felicidade da felicidade dos outros. Cada um é cada um, ímpar. Você vive, eu vivo, eles vivem, nós vivemos. Se há amor, há partilha, quem compartilha tem sempre o coração cheio. Vem comigo, vamos sem destino, vamos ser felizes. Antes que seja tarde demais para apreciar a fotografia.

3 comentários:

  1. Seu texto me lembrou Henri Cartier-Bresson, o "instante decisivo" é engraçado como em um clique pode-se mudar tudo... Em um clique um amor que levou dias, meses e anos é destruído. Em um clique a pessoa fecha o olho e morre, as vezes nem da tempo de fechar o olho... a certeza é que partiremos sozinhos... O problema também é que como você citou... cada pessoa é singular.. Só temos a vida para compartilhar... "lembranças e histórias... somos pássaros novos longe do ninho" e o mundo "longe de casa" assusta e é triste... (fiz drama demais e fugi do tema)

    O problema também é que como você citou... cada pessoa é singular..

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  2. E há quem fuja da própria imagem (porque eu acredito que, às vezes, amar é um exercício de permitir se ver no outro), mas só fica difícil mesmo para quem fica com aquele retrato vazio e tem que lidar com a ausência, porque se expôs e saiu na foto, com aquela cara de pateta. (risos)

    Desabafei. Gostei do texto. Só não me serve mais.

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  3. Engraçado como me entendo com alguns dos seus textos. Muito bom, mesmo. "Utopias me dão sono, a vida para mim é agora.."

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