medo da chuva

Quando a claridade do céu invade o quarto, mesmo que não seja dia, mesmo que não haja lua cheia, é um aviso. Ele está dizendo que a qualquer hora vai desabar em lágrimas, ou chuva. Eu tenho medo, tranco a porta para abafar o barulho do vento. Penso que talvez meu medo da chuva seja reflexo de um temor interno, eu temo a queda, a exposição verdadeira, o desmoronamento da alma, eu temo não aguentar por dois. Contudo, no fim, acho tão bonita a rendição do céu, acompanhada da melodia cantada dos pingos d'água, das folhas das árvores que se encostam, das telhas que se banham. E quando a tempestade acaba e eu olho para cima, as coisas estão como sempre estiveram. O doce sorriso azul nos observando de longe. Eu nunca vou te abandonar. Posso até me render, posso até chorar, posso até cantar. Mas eu nunca vou deixar você. E quando tudo acabar, o amor vai rir de nós, e para nós, do lugar onde sempre esteve. Aqui, aí dentro.

3 comentários:

  1. Há semanas que não consigo escrever, a única linha que me saiu (e isto foi anteontem) foi: "Desistir de você tem sido como desistir de mim." Aí me vem teu texto, as linhas finais, e acabam comigo... Acho que eu tenho evitando a tempestade, por medo de o céu não se abrir de novo. Bobagem, eu sei. 'Brigado por lembrar que nada acaba assim, não.

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  2. "E quando tudo acabar, o amor vai rir de nós, e para nós"
    como o sorriso do azul do céu...
    me apaixonei por metáforas, agora eu venho aqui e leio essas... tem jeito não, a gente só escapa do "que lindo" quando fica sem comentar...

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  3. Então, li teu texto escutando "Right as rain", da Adele, e me deu um misto de coisa ruim e coisa boa... :/
    Eu, simplesmente, adorei! Seus escritos são maravilhosos, garota!
    Parabéns!

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