a última chama da eternidade

Ninguém nunca vai ocupar o meu lugar e você vai sentir minha falta até o último dia da sua vida. E vai enlouquecer de tanto imaginar como teria sido se você não tivesse tomado essa decisão idiota de me deixar sem porquê.

Foi minha última fala antes de fechar a porta e ficar sozinha do lado de dentro daquele apartamento frio. Queria que fosse bonita, que fosse verdade. Mas foi só mais uma frase de efeito, típica de quem é deixado e faz qualquer coisa pra chamar a atenção, pra prender junto ao peito quem tanto se quer. Ela tinha muito medo, e me chamava por nomes carinhosos mesmo diante de tudo que acontecia. Toda aquela cena era pior que filme de terror. Era pior porque eu já sabia o final, e ele era assustador. A gente tem medo de encarar a realidade, mesmo que seja doce e bonita. Viver às vezes é um grande desafio. 
Me falou sobre tantas vias de mão dupla que atravessavam nosso relacionamento, e no final eu nem sabia mais o rumo da conversa. Só conseguia pensar que amava a  mulher mais corajosa do mundo, por conseguir viver com o peso da culpa de ter deixado pra trás um grande amor. Eu não conseguiria, nunca. Tenho Vinícius em mim, mas dou a impressão de ser eterna. E queria mesmo ser, de verdade. Se a única eternidade da minha vida não tivesse saído pela porta ontem à noite, quem sabe. Agora vou entrar no Soneto de Fidelidade e prometo ser fiel a mim, como não fui a ninguém. Como só fui a ela. A vida é uma chama que um dia se apaga. Por isso deixe queimar, deixe que consuma. A morte já é branda demais.

2 comentários:

  1. Hum... Às vezes quando leio algumas coisas suas me sinto como uma criança ao escrever... Muito inocente... Pouco critico... Muito sincero... Pouco realista... Esse deve ser o preço que se paga por optar fazer engenharia ao invés de jornalismo... Mas me diga "Ó menina que não sabe amar", por que você escreve tanto sobre o amor, se acha que não ama? Geralmente, não escrevemos sobre temas que não sabemos...

    Acho que se você sabe uma coisa em demasia, isso é amar.
    Já vi esses seus olhos por tras de espessas cortinas de lágrimas, ao se despedir de amigos que sei que amava... Já li cartas suas que não podem ser escritas apenas estando apaixonada... Me lembro claramente de seu jeito de se vestir, de usar perfume masculino, de tocar pandeiro sozinha que transparece um amor-próprio que chegava a dar um gosto adocicado na lingua... Nunca fui um amante seu, nunca acordei com você debaixo dos mesmos lençois, mas sei que quando alguem o fizer terá certeza de que é amado, porque pode até parecer que você tem olhos de tempestade, mas pra quem realmente te conhece eles não passam de um riacho calmo e de águas nada turvas...

    Não, acredito que você não saiba amar, acredito que você não saiba o que é o amor, por que isso ninguem realmente sabe! Ah! Mas amar você ama demais... Por que amar é a única coisa que nos resta. Amar muito... Em demasia... Até que doa... Até que mate... Porque como diria, seu AMADO, Vinicius:
    “E de te amar assim, muito e amiúde
    É que um dia em teu corpo de repente
    Hei de morrer de amar mais do que pude.”

    Com muito amor... Alesi Mendes

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  2. Meu queridíssimo amigo, você não sabe o quanto sinto sua falta. É muito bom ler suas palavras.

    Eu nunca disse que não amava, apenas que não sabia como fazê-lo, mas ainda assim continuo insistindo em tentar de todas as formas, mesmo que erradas, mesmo que tortas. Eu não deixaria de cantar por ser desafinada, eu não deixaria de escrever por ter a letra feia, nem de sorrir, por ter dentes amarelos. E é bem isso que acontece com o amor, não é técnica, é chegar lá, amar e pronto. Ainda não descobri sobre o mistério por trás dos amores e não me esforço pra isso, porque seria acabar com a magia. "O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração". Você, assim como eu, entende bem disso.

    Ainda morro de saudade de você! Um abraço e um beijo enorme de que tem ama muito.

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