permita que a permanência fique

Desde o dia que Antonia foi embora da minha vida que me pergunto:  O que será que é o contrário do amor? - do filme "Como Esquecer".

Adeus. Quem é que precisa de um adeus pra se sentir realmente abandonado? Quero dizer, o abandono é sempre tão previsível, por mais inesperado que pareça. Não é um ato, nem um fato. É um estado da alma. Compreende, querida? A gente tá sempre abandonado. Nos bares, esquinas, na cama, e até dentro de nós mesmos. E talvez precisemos mesmo disso, vezenquando. Há dias em que as palavras são nada mais do que pedaços do vazio que eu sinto quando você se vai. Pedaços que vão se despregando de mim - e do vazio, claro - pra se juntarem ao papel.

Mas não interessa do que a gente precisa, ou o que eu sinto na sua ausência, ou se vou continuar a escrever nos dias que virão. Senta aqui. A única coisa que interessa agora é que eu não quero que você me deixe. Eu preciso do calor do seu corpo e da sua boca na minha me dizendo bom dia. Os motivos pouco importam, essas coisas a gente não explica, amor. Fica comigo, por favor.

Deus queira que a minha não-explicação não diminua a urgência do pedido.

eu te amo.