entre tantos

Me perdi na sua multidão

Pensei que meu oxigênio tinha mudado de forma. Quando fechei os olhos percebi que não, eu me afogava por querer. Imersa no fundo de um oceano desconhecido, em busca de um tesouro que eu sequer sabia se existia. O sal queimava os olhos, grudava no corpo, ardia a alma. O ar já não existia mais, e por sorte o corpo se esqueceu dele. Tudo se calava perto da vontade de alcançar o inalcançável.
Confesso, foi bom tê-lo em mãos. Deixei de ser um mero corsário e me tornei pirata de mim mesmo. Mas só foi bom enquanto eu era único, o único a saber de sua existência, o único a contemplar seu brilho. Quando o mundo o descobriu, ele tornou-se tão banal quanto qualquer outro baú encontrado no fundo do mar. E não tive escolha, senão distribuir cada uma das moedas a quem as desejasse. Não conseguia sentí-las como minhas. E se um dia fomos um, eu faltava um pedaço agora, eu era metade.

Te perdi pra sua multidão. Multidões. Multidores em mim.

Um comentário: