divina tragédia humana

Estar aqui e agora, mesmo sendo posse de outro tempo, outro mundo. Como quem sabe que nunca mais será dois, só metade. Como quem sabe que pessoas não passam de palhaços de um circo sem futuro, e ainda assim insiste em levá-las a sério, na esperança de que, quem sabe um dia, alguma resolva mudar de ofício e queira ser nada, ao lado de alguém. Eu faço música com o barulho da minha respiração mesclado ao som dos passos de quem vira a esquina sem olhar para quem fica. Sem olhar para mim. Machuco por querer, para me sentir mais humana, quando arranco pedaços da alma num pedido de perdão. Só deixo entrar o que vem de dentro. É por isso que estou vazia. Toda oferta vem de fora, ninguém quer se doar. Não quero a casca do seu ovo, porque quando ela se quebrar nem mesmo meu sangue será capaz de juntar novamente os pedaços. Viver dói. Viver é trágico. Eu sou tragédia. Amor não é o seu medo de cair do topo da montanha. É o percurso até chegar lá. E a disposição de deixar a primeira pedra para trás.

.. a primeira pedra para trás

4 comentários:

  1. Parabéns, o que você escreve é tão triste e ao mesmo tempo tão belo... um sentimento tão lindo!

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  2. imagina, só disse a verdade. Você escreve maravilhosamente bem.

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  3. Ah, obrigada de novo. Elisa que não é mais anônimo! haha

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