para o meu doce amor

Esse frio me deixa tão sentimental, amor. Lembro de tu fingindo que era um urso polar pra me ver sorrindo como uma criança de quatro anos. Tiro da estante todos os livros que me fazem lembrar de ti e me surpreendo ao saber de cor cada frase que tu gostava. Eu sei a hora em que tu me disse cada uma delas, e sei também qual  está na primeira, segunda ou vigésima carta. Atuar demais tem me feito desaparecer. Hoje minhas sobrancelhas ficaram vermelhas, mas ninguém sabe que elas só ficam assim quando lágrimas caem. Ninguém além de ti seria tão detalhista para reparar tal coisa. Tu doía minhas dores, e sorria meus sorrisos mais que eu. Tu me mostrou minhas manias, e me fez acreditar que havia poesia em cada uma delas. Porque tu achava bonito até a forma como eu mudava o tom da minha voz de acordo com a necessidade de amor do momento, como eu entortava a boca às vezes dizendo que era charme, e o drama que eu fazia quando sentia fome. Eu gostava de ser exigente por que sabia que tu sempre ia me mimar. E com o tempo, de tanta admiração da tua parte, passei a me observar mais e procurar nos meus olhos tudo aquilo que tu via. Contigo eu me conheci. E agora estou na iminência de cometer uma loucura. Mas me perdoe se não passar disso.

2 comentários:

  1. "Eu sei a hora em que tu me disse cada uma delas, e sei também qual está na primeira, segunda ou vigésima carta."
    muito lindo!

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