conto de fadas

Tarde doce, mês qualquer. Um pássaro que não sabia voar, um boneco de madeira até então sem vida. O destino com uma parcela de culpa ao promover o encontro dos dois, e o mundo os culpando de tudo mesmo assim. O primeiro aprendeu não só a voar para além do infinito, mas também a renascer das cinzas, tornando-se assim o próximo pássaro fênix. E ao boneco deu um coração - coração poderoso, que pulsava por muitos - para que ele pudesse saber como é viver. Mutuamente e involuntariamente experimentaram juntos a sensação de amar. Logo veio a água, tentando apagar o fogo que arde sem se ver. E então dispersaram-se um do outro, cada um com uma pequena chama acesa dentro de si. Já não anseiam por torná-la grande, pois sabem que o reencontro se aproxima, mesmo que em outra vida. E sabem também que quando se unirem de novo, haverá uma fogueira tão poderosa capaz de consumir tudo. Quem dirá quanto falta para esse dia, se o tempo pode não parar ou pode não passar de uma ilusão? É inútil lutar contra certas coisas, o homem ainda há de entender que o material nunca poderá deter o sublime. E, convenhamos, há algo mais sublime que o amor?

Um comentário:

  1. Você é muito foda! Desculpa hehe
    É muito perfeito o que você escreve.... tão sincero e puro!

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