A regra hostil dos amores a mais, dos amores a menos

Sinceramente, eu não queria escrever este texto. Fico escutanto o Renato Russo, distante, cantando " quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim " e é assombroso quando algo martela na sua cabeça dizendo que o que você está fazendo é errado. Porém não me resta escolha, é meu único argumento, não tivemos uma história, nós nunca tivemos nada. E escrever é a solução, é a minha forma de acelerar a partida dos amores mal resolvidos. Caso tenha alguma outra sugestão para a essência deste monólogo, por favor me comunique que imediatamente farei a substituição, mas enquanto você não aparece, permita-me continuar. Você dizia que me achava bonita, que as diferenças não importavam tanto em casos amorosos, que nem sempre as pessoas sabem as respostas de imediato, e que eu não era só mais uma. Você me ligava no meio da noite e quase me agredia quando eu falava dos outros, você me fazia sentir especial - a exceção - quando mandava uma mensagem de madrugada dizendo que se importava comigo e que não ficaria bem se não soubesse que eu também estava. E foi assim, em meio a a tantos detalhes (malditos detalhes), em meio a tantas provas sutis, que eu fechei os olhos para a verdade. E a verdade é que eu nunca fui exceção porra nenhuma, eu era só mais uma das suas paixonites. Vai ver suas mãos tremiam daquele jeito perto de qualquer um que te quisesse tanto quanto eu. Vai ver eu fui só um alguém a menos. Esse pode ser o começo do fim, mas eu prefiro acreditar que não é tarde, e sim cedo demais. Acreditar que um dia, um "eu te amo" no pé do ouvido vai descomplicar tudo o que te aflige, e que meu beijo vai ser capaz de simplificar toda a sua vida em um só momento. Eu te amo, e não tenho medo de dizer isso. Amores nunca são em vão, gracinha.

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