O amor começa

O amor começa. Numa doce tarde de fevereiro ou numa escaldante tarde de setembro, quando o sol parece querer esquentar o clima entre os futuros amantes. Quando há um encontro de alma através de olhares e ao se provar a doçura de um sorriso sem porquê. Até à beira do precipício, naquele abraço que rouba as dores e ensina a voar. Às vezes, sob a luz de um semáforo vermelho, sob a luz de uma boate, ou pura e simplesmente sob a luz da lua, que cheia, é capaz de iluminar meio mundo. O amor começa apaixonadamente com um chocolate numa segunda-feira de manhã. De repente, no engasgo involuntário de palavras até então não ditas. Ele chega receoso quando as mãos se tocam dentro do cinema frio dividindo o calor do sangue circulante.  Por acaso, no bar da esquina, com o que sobra da visão da bola de sinuca entrando na caçapa. Na praia, depois do banho de mar, o sol grudado no corpo e o corpo grudado no outro. Quando um simples tocar de dedos mindinhos provoca reações grandiosas em cada mínima estrutura do organismo, é aí que o amor começa. Sem que se perceba, sem que se permita, sem que haja qualquer tipo de certeza ou compreensão dos fatos. Porque na verdade, amar é isso, é querer compreender o outro mesmo sem saber o que se passa no próprio coração.

2 comentários:

  1. O amor chega receoso pra depois nos revelar seu lado avassalador!

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  2. Intenso,vital.. só o amor mesmo tem essa capacidade de transformação e desordenação ;)Ótimo o post*-*
    Beeijos;*

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