Devaneios de uma quarta-feira à noite

Não deveria estampar tanto deslumbre assim com uma palavra sua, porque isso provavelmente te provocou uma puta vontade de voltar no meio do caminho. Mas é que eu sei o quanto deve ter sido difícil falar comigo depois de tanto tempo, sei a respeito das lutas internas que você travou para tomar essa iniciativa. E ter conhecimento disso é o que me fez ficar encantada, arrepiada, com sua voz rouca ao pé do meu ouvido de novo. Lembra daquele dia em que eu falei que se você me beijasse eu declararia o meu amor? Era mentira, foi só para ver sua reação. Eu já te amava muito antes daquilo. Não vou dizer que te amei desde o nosso primeiro encontro, eu mal te conhecia e você nem fazia meu tipo. Mas foi desde que recebi aquela carta, por acaso na minha caixa de correio. Lembro-me com detalhes das palavras, você dizendo que qualquer um seria capaz de se apaixonar por mim. Só hoje eu vejo o absurdo contido nessa frase, pois nem você foi capaz de fazê-lo. Mesmo depois que eu resolvi ser sua por inteira para atender aos seus mimos, você não me deu nem um terço, nada. E deixou o pote assim, tão vazio de você. Olha, escuta com atenção e grava bem isso - eu não ligo para os seus conselhos sobre orgulho ou desprezo e não vou segui-los, nem se você me pedir de joelhos. A gentileza com que sempre vou te tratar é exatamente a gentileza com que eu queria ser tratada e vou continuar pedindo pela sua felicidade até o último dia da minha vida. Não se preocupe, vai passar. Você é só mais um. Você quis ser só mais um e é assim que o verei daqui pra frente. Mas lembre-se, quando bater aquela vontade de ouvir minha voz no meio da noite, eu estarei aqui. Eu sempre estou aqui. Por você, para você.

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